quinta-feira, 24 de julho de 2008

A grande vigarice das contas do Governo

Foi publicado pela DGO o Boletim de Execução Orçamental relativo a Junho 08. Até Janeiro de 2009 – mês em que deverá ser publicado o boletim com os números da execução orçamental referente ao ano de 2008 – não farei mais nenhuma apreciação. Deixou de valer a pena. Façam como eu. Leiam-nos e apreciem-nos como bem entenderem. Porque não vale a pena? porque entrámos em definitivo no mundo da contabilidade virtual, da ficção e do imaginário e... ilusões não têm comentário. Porquê assim? porque o governo perdeu o pé. Contas por contas não levo a sério que o défice do Estado diminuiu quase 30% no 1º semestre. Diminuiu porque foram considerados os mais de 450 milhões de euros que a EDP transferiu para o Estado devidos pela nova concessão (na receita) não tendo sido considerada a despesa respectiva - os encargos que vai ter de pagar à REN.
Em segundo lugar porque além de serem “vigaristas” há muito passaram também a ser descarados. O que eu vejo, leio e sei os outros podem ver, ler e saber igualmente. Estou a referir em concreto o “barulho” que Sócrates e Teixeira dos Santos fizeram de que nunca recorreriam a receitas extraordinárias ora as receitas extraordinárias, este ano, já vão em pelo menos em 541,5 milhões de euros.
- O Governo, na maior parte das entidades em que é accionista a 100 por cento, decidiu agravar o valor dos dividendos (parte do lucro entregue ao accionista) a distribuir em 2008, não aceitando as propostas que lhe tinham sido apresentadas pelas administrações... obtendo, desta forma, uma receita adicional de, pelo menos, 141,5 milhões de euros.
- O Governo poderá encaixar este ano uma receita extra de pelo menos 283 milhões de euros com a concessão das novas 10 barragens. Qualquer coisa como 0,2 por cento da riqueza produzida.
- Com Foz Tua, adjudicada à EDP, o Estado já recebeu 53 milhões de euros. Tendo em conta as restantes 9 barragens, o Estado poderá, se nenhum concurso ficar vazio, 230 milhões de euros ou seja... 0,5% do PIB.
Extraordinariamente!
escrito por David Oliveira, em Pleitoseapostilas

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fome e incompetência política

Até já a classe média pede ajuda alimentar!!!!!!!Veja-se a notícia aqui:http://diario.iol.pt/economia/portugal-fome-crise-misericordias-classe-media/973588-4058.htmlO relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia porrtuguesa veio pôr as coisas no seu devido lugar: Os problemas económicos em Portugal têm causas internas. A culpa é dos políticos que têm tido o Poder em cada momento.- Incompetência;-Corrupção;- Subserviência e estúpida dependência em relação a Espanha.Políticos que obtiveram licenciaturas fantasmas, facilidades de toda a ordem para obter graus académicos;Enriquecimento de pés descalços a todo o vapor e sem justificação possível;Jogadas de toda a ordem para sacar os subsidios da União Europeia;Compadrio;Tráfico de influências.Políticos sem experiência alguma da vida. Que eram uns miudos em 25 de Abril mas que através dos partidos foram subindo na hierarquia do Estado, mas sem qualquer preparação.Escândalos e mais escândalos todos abafados pela Justiça;Justiça corporativa, dependente dos partidos, da maçonaria.É este o Portugal de José Sócrates, que o afundou ainda mais.José Sócrates tem muita conversa, mas é tudo propaganda.Destruiu , destruiu, destruiu.Espanha/Espanha/Espanha foi o mote...Aí está agora um Portugal de pantanas, a classe média já a passar fome juntando-se a outros 2 milhões de pobres!Portugal nem consegue aproveitar os acordos com a Venezuela, com Angola, com a Líbia.Não temos produção suficiente para os rentabilizar.Não há portugueses em número suficiente. Emigram para fugir à fome.Vao criar riqueza no estrangeiro.O Governo continua a apostar nas ventoinhas éolicas ---- produzidas por empresas espanholas!Portugal é uma imensa aldeia da roupa branca... sim porque ainda vai voltar a necessidade de ir lavar a roupa aos riachos e aos barrancos e entendê-la em cima dos tojos....O Presidente da República não pode assistir a isto de braços cruzados.
Posto por José Maria Martins

ECCE HOMO

Sócrates discursava para algumas centenas de militantes socialistas na Pavilhão de Portimão quando, de repente, aparece Jesus Cristo baixando lentamente do céu.Quando chega ao lado de Sócrates, diz-lhe algo ao ouvido.
Sócrates, dirigindo-se à multidão, diz:
- ... camaradas! O camarada Jesus Cristo está aqui, e quer dizer-vos umas palavras
Jesus pega o microfone e diz:
- Povo português, este homem aqui ao lado, o Primeiro-Ministro Sócrates, não vos tem dado o 'pão do conhecimento' da mesma forma que eu fiz?
Os socialistas respondem: - Siiim!
- Não é verdade que como eu multipliquei os pães e os peixes para dar de comer a todos este homem, inventou os aumentos de cinco e de dez cêntimos nas pensões, para que todos se pudessem alimentar? - Siiiiim!, responderam os militantes.
- Não é verdade que este homem, Sócrates, reformulou o Serviço Nacional de Saúde, assim como eu curei os enfermos e tratei os pobres e desfavorecidos? - Siiiim!
- Não foi, também ele, traído por companheiros de partido, assim como eu fui traído por Judas?
Os socialistas gritaram ainda com mais força:
- Siiiim!
- ... do que é que estão à espera para crucificar o gajo?!
postado em Pleitoseapostilas

segunda-feira, 7 de julho de 2008

...entre o palácio de S. Bento e um esquife

... contudo pormenores há, detalhes importantes existem que não carecem de debate parlamentar para poderem ser, com propriedade, apreciados. Detalhes importantes já que são o que distinguem o charlatão, o burlão do dignitário íntegro, do político insuspeito, do homem de Estado. A semântica, a arenga, a retórica balofa... Os pleonasmos, os anacolutos de que Sócrates - à defesa e sempre a tentar justificar-se - tanto gosta ... A construção da oratória dele. A semântica do sistema e, pior ainda, do regime.
A política e a politiquice... como se algum destes flibusteiros de pacotilha conseguisse alguma vez sair do charco e subirem à tribuna com o nobre intento de dizer e de servir. É uma absoluta inversão de valores – do cargo, do estatuto que lhe é inerente e do homem que o ocupa. Digo-o porque não é o cargo que confere dimensão ao político.
A crise que não há. A presente situação é de «sérias dificuldades» (sic). As críticas e as dúvidas sobre alguns projectos e investimentos públicos significam «falta de esperança»(sic). O crescimento da economia que «será menor do que pensávamos»(sic). O desequilíbrio das contas públicas que não há: em rigor ficamos a saber que qualquer valor negativo [-3; 0[ é igual a zero – ... é extraordinário. «As novas dificuldades que enfrentamos» - novas?!
Não! Sócrates é que é um charlatão e como qualquer charlatão faz primeiro cria a ilusão e depois face ao despertar da plateia e pressionado pela realidade, que não pára nem lhe solicita autorização, vai a reboque. Reage! e mesmo assim reage mal e, as mais das vezes, tardiamente. Também é explicável (e não deve ser segredo para ninguém) porque é que a reacção é tardia. Tarda porque avaliar as consequências eleitorais leva tempo. Mal porque é muito difícil ter simultaneamente pau e bola.
Sócrates quando desceu o IVA fê-lo de peito inchado e disse – a quem acreditou - «porque a crise está ultrapassada»(sic) sob o efeito do comprimido de ecstasy, que para ele foi a UE ter confirmado um déficit de 2,6%. As dificuldades são novas de/com um ano. Avisaram a AIE (Agência Internacional de Energia), a OCDE, o BM, o Comissário Europeu... respondia (sorrindo) Teixeira dos Santos que «entre os erros deles e os nossos, os deles são bem mais»... por fim a tentativa de estabelecer uma relação entre uma reavaliação de alguns projectos com falta de esperança é mesmo o prenúncio do fim. Não tem uma coisa que ver com a outra. Nem a reavaliação é sinónimo de impedimento nem a reavaliação é de todos os projectos. Donde vem tamanha preocupação e desnorte? para Sócrates e para o PS a prossecução desses projectos são a diferença entre o palácio de S. Bento e um esquife.
Escrito por David Oliveira em Pleitoseapostilas

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O comportamento dos tipos do governo é de um descaramento atroz.

Manuel Pinho, que desde o primeiro dia é uma das “araras” do governo, veio agora desmentir-se. Há três semanas replicou que, o que interessava, era o investimento de raíz (!); foi agora a Aveiro dizer – não o soubéssemos nós – que a nossa situação se degradou e os tempos seguintes serão pior. Exploram a ilusão, mascaram a realidade, mentem tanto que chegam a entrar no inadmissível. Daqui não há como esperar melhorias.
O Boletim de Execução Orçamental (Maio 08) publicado ontem confirma a degradação das contas públicas. A degradação está dissimulada mas está lá.
1 – Quem lê «nos primeiros cinco meses a receita fiscal registou um crescimento de 2,7%» também tem de ler que «para este resultado contribuiu essencialmente o crescimento registado nas receitas brutas do IRS»
2 – lê «a taxa de crescimento acumulado do IRC é de 10,6%» mas também tem de ler que «depende de diversos factores entre os quais se destacam a autoliquidação já contabilizada no corrente mês»
3 – lê «a receita não fiscal registou uma variação de 27,5%» e tem de ler que «reflecte, essencialmente, o aumento de dividendos pagos ao Estado pelo BP e CGD». Feitas as contas esses dividendos cresceram em relação ao ano passado - 46,6%. Em 2007 fora, 307 milhões. Este ano 450 milhões
4 - nas contas da Caixa Geral de Aposentações, as Pensões e Abonos aumentaram 6,7% e nas receitas, o Adicional ao IVA vale 124 milhões que correspondem a 0,8% da receita, que cresceu 1,4%
5 – os impostos indirectos decresceram 0,7% - o ISP arrecadou menos 200 milhões; o imposto sobre veículos arrecadou menos 87 milhões; o imposto sobre o tabaco menos 51 milhões... em linha! tudo continua a ser feito pelo lado da receita. Enquanto a receita cresce a 2,7%, a despesa efectiva cresce a 1,6% e a despesa corrente cresce a 3,7%


Escrito por David Oliveira do blogue pleitosapostilas

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O cadáver adiado

A paralisação dos camionistas portugueses, que dura desde as 0:00 de segunda-feira, 9-6-2008, é apenas mais uma revolta corporativa de uma sequência que não abrandará até ao fundo do vale da depressão económica que o mundo não produtor de petróleo e de salários altos conhece e com consequências bastante mais graves em Portugal, por causa da política absolutamente errada de José Sócrates que afundou a economia nacional no absurdo contraciclo da sua política financeira autista. De que serve a alguém ter a "casa arrumada" (Sócrates, em 29-3-2008 em Mortágua) se estiver desempregado e a família passar fome?...

A paralisação é desagradável, mas quando o "desespero campeia", como refere José Maria Martins, a "desobediência civil" parece a única saída para os camionistas das micro e pequenas empresas que constituem o grosso do sector dos transportes de mercadorias. Estes mantém os protestos, apesar da falta de solidariedade dos donos das grandes frotas que controlam a ANTRAM (só a TAS do presidente da ANTRAM António Mousinho tem "uma frota própria superior a 200 veículos") e arrasam o sector no dumping dos preços dos fretes - ainda hoje, 11-6-2008, ouvia no programa Opinião Pública da SIC-Notícias uma gestora de frota dizer que uma grande transportadora, a Álvaro Figueiredo, cobrava apenas 450 euros para um frete Lisboa-Madrid. Devido à atomização e independência tradicional do sector, é muito mais difícil conseguir um acordo com as suas corporações - a associação empresarial ANTRAM e o sindicato FESTRU (ligado à CGTP) -, que não têm tropa de choque obediente com penetração e dimensões suficientes, como a CGTP-PC teve no protesto dos professores, para abafar os protestos independentes e vender os trabalhadores num acordo manhoso com o Governo. Isto é, a desmobilização dos trabalhadores só parece possível com concessões tangíveis e igualitárias, sem a troca suja de compensações políticas externas aos interesses dos próprios.

Como outras revoltas anti-sistémicas, esta nasce da base e despreza os compromissos dos sindicatos e associações oficiais que vivem na habitual cumplicidade com o poder. O poder embrulha os representantes das classes profissionais no maço da folha de apoios e os trabalhadores e elementos de base são vendidos em acordos que os prejudicam. Os compromissos dos representantes, que na verdade passaram para o lado do poder, impedem-nos de afrontar o governo e cedem, mediante a oferta de cerejas que encimam os seus bolos.

O governo de Sócrates já tem a morte marcada: o seu governo é apenas um "cadáver adiado" que nem procria.

Paradoxalmente, a economia está a ser o carrasco da sua política ultra-capitalista e de promiscuidade com os grandes grupos económicos:
o petróleo continua a subir (133,00 dólares às 12:31 de 11-6-2008), de patamar em patamar, dois passos acima e um para baixo;
o dólar deixou de descer (1,5493 dólares/euro às 12:31 de 11-6-2008) - já nem o negligente ministro das Finanças Teixeira dos Santos despreza, como fazia, a subida do petróleo acompanhada pela depreciação do dólar...
a inflação real acelera;
o Produto Interno Bruto mingua (nova descida de 0,2% no primeiro trimestre de 2008, imitando a contração de 0,1% do terceiro trimestre de 2007);
as exportações diminuem e as importações aumentam, desequilibrando ainda mais a balança comercial portuguesa;
o investimento directo estrangeiro no nosso País reduz-se radicalmente a metade, por mais que o ministro Pinho o veja a... crescer "e bem";
multiplicam-se as falências e encerramento de empresas;
o desemprego real (o dos campos e ruas do País e não o da praça de Londres ou o da avenida António José de Almeida) aumenta;
a emigração dos desempregados, sub-empregados, subsistentes e jovens licenciados explode;
o endividamento das famílias (no final de 2007, era cerca de 129% do rendimento das famílias portuguesas, o segundo valor mais alto entre os países da zona euro) agrava-se, o crédito mal-parado cresce para o valor mais elevado de sempre (e 14,7% de aumento face ao primeiro trimestre de 2007) e a poupança reduz-se;
a fome reaparece, conforme avisam o Banco Alimentar e as organizações de caridade;
até a Igreja - veja-se a posição crítica do ponderado bispo do Porto, D. Manuel Clemente, em 5-6-2008, ou as palavras duras de D. Manuel Martins em 8-6-2008 - contesta o liberal Código do Trabalho e denuncia as desigualdades sociais, a fome e a carestia na saúde.

Mas como dizia, o meu professor Jorge Vasconcellos e Sá, "estas são as boas notícias"!... As más notícias é que no Outono de 2009 estará muito pior. José Sócrates arrisca-se a levar o Partido Socialista a um resultado pior do que o dr. Almeida Santos em 1985 (20,77 %), com o Bloco de Esquerda de Louçã na posição do PRD.

A partir de agora, importa preparar o futuro do País após a desgraça socratina que nos aconteceu.
publicado no blogue portugalprofundo

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Vão tomar no "olho"

Pedro Silva Pereira, afirmou que a conjuntura económica desfavorável poderá adiar a concretização de alguns objectivos do governo. "Esta situação nova, a conjuntura económica desfavorável, pode implicar que alguns objectivos que tínhamos no horizonte precisem de mais tempo para ser alcançados". Ora tomem lá! eu que já tinha escrito qualquer coisa que titulei “Abençoada Crise”. Que o que aí vinha iria ser o alibi para o que não fizeram numa legislatura. Ei-lo! Pois agora há-de aparecer Sócrates com cara de caso, na televisão pública (se não fôr a pública será uma qualquer das outras para que não o acusem de privilegiar aquela em detrimento destas ...) há-de fazer um debate para que debite a ladaínha do costume ... A mim não me enganas tu!
Em 8 de Março quando o governo ainda nos dava (ignorando tudo e todos e o que vinha por aí) escrevi 1731
“Mas qual estudo, qual ponderação, qual quê? O ministro das Finanças disse que «estamos a avaliar a situação para determinar quando poderemos baixar impostos». Mas estão a avaliar o quê? "Vá-se catar!", homem. Os senhores foram umas anedotas, os outros também! mas os senhores é que governam. Os senhores fizeram porcaria quando negociaram em Bruxelas três ou quatro anos para liquidarem o défice. Que em caso de incumprimento custariam ao país 400, ou mais, milhões de euros. Façam as contas às perdas económicas (e não só) que já tivemos de aplacar por causa da vossa cegueira. Em três anos caminharam para uma redução drástica do défice (mas não o liquidaram) à custa da liquidação da economia. E deviam ter negociado seis ou sete. Os senhores são umas anedotas.
Mas qual estudo, qual ponderação qual quê? Cada um dos senhores é um poço de hipocrisia, de cinismo. Os senhores quando chegaram ao governo já sabiam bem (também é para isso que serve a ciência económica) que iam espremer até um ano antes das eleições. E sabiam que, depois, fariam tudo para dar uma sensação de alívio. Para tentarem perpetuar-se no governo por mais uma legislatura. Tiveram, até agora, sorte. Sorte por a oposição ser uma classe de indigentes, de ineptos.”
Publicado por pelitosapostilas